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Mais Previsibilidade, Menos Escassez: O Novo Rumo do Imobiliário

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O mercado imobiliário português entra em 2026 num momento decisivo.

Depois de anos marcados por incerteza regulatória e por uma narrativa muitas vezes desligada da realidade, o novo pacote fiscal para a habitação representa uma mudança relevante na forma como o setor é encarado. E esse sinal, por si só, já é fundamental: devolve confiança a investidores, promotores e compradores.

Mais do que medidas isoladas, este pacote traz algo essencial — previsibilidade.

A redução do IVA na construção, os incentivos ao arrendamento e a simplificação dos licenciamentos não resolvem tudo. Mas atacam o verdadeiro problema: a escassez de oferta. Ao aliviar custos e remover bloqueios, cria-se finalmente espaço para dinamizar o investimento em habitação dirigida à classe média.

A redução do IVA para 6% poderá ter um impacto estrutural importante. Muitos projetos, até aqui inviáveis nos segmentos médio e médio baixo, passam a fazer sentido. E é precisamente aí que a necessidade é maior.

Ainda assim, é importante manter realismo: os efeitos não serão imediatos. O mercado imobiliário responde com tempo — e o aumento da oferta só será visível num horizonte de 1 a 3 anos.

No arrendamento, a descida do IRS para 10% em contratos até 2.300€ é um sinal claro de mudança. Ao melhorar a rentabilidade líquida, pode trazer para o mercado milhares de casas atualmente fora dele. O próximo passo parece evidente: incentivar contratos de longa duração.

A procura internacional continua forte

Portugal continua a ser um destino altamente atrativo — por razões estruturais: segurança, qualidade de vida, crescimento tecnológico e confiança no longo prazo.

Hoje, o comprador internacional é mais informado e mais exigente. Lisboa já não é uma descoberta — é uma escolha consciente.

Mas há desafios: o agravamento do IMT para não residentes, a complexidade do novo regime fiscal e alterações ao Golden Visa fragilizam a competitividade do país.

No segmento premium, o principal problema mantém-se: falta de oferta. E com os preços em alta, cresce o risco de desvio da procura para outros mercados europeus.

A solução passa, inevitavelmente, pela agilização dos licenciamentos. Processos lentos continuam a travar investimento durante anos. Aqui, a digitalização e a inteligência artificial podem ter um papel decisivo.

Por fim, no imobiliário comercial, há uma oportunidade clara: os data centers.

Portugal reúne condições únicas — energia competitiva, aposta em renováveis, conectividade e disponibilidade de terrenos. Se bem executada, a estratégia nacional pode posicionar o país como um player relevante na Europa.

O setor precisa de consistência, execução e visão de longo prazo.

2026 pode, finalmente, marcar um novo ciclo.

(Sapo David Moura-George,Diretor-Geral da Athena Advisers)